"Para que, afinal se dança?
Dançamos para que os corações se unam.
Ah é dificil, não é? Em todo caso é para isso que dançamos”.
Kazuo Ohno

Este meu corpo é matéria pesada, tem necessidades e obsessões.
Mais ele é passageiro, ele não me pertence.
Estou aqui em trânsito num tempo invisível.

 

1.  Aparecer e desaparecer. Dançar a ausência do visível através do meu sensível, da escuta, da simpleza de só ser dançando. Procuro o efêmero na dança, algo que cambia, que vira outro, que pode ser sombra mas pode ser bicho, que tem pele de papel e mora dentro mar. O sonho. O prazer. A inocência de quem dança pela primeira vez e deixa fluir o movimento. A leveza para trazer a invisibilidade dos espíritos, a amizade com a sombra, a dança com ela através
do olhar de outras matérias.

 

2. Desenho a dança, a dança me desenha a mim. O desenho como dança. O ato de desenhar como uma extensão do movimento. Um desenho que não tem nada a ver com a técnica ou virtuosismo e sim como uma impressão do corpo, um ato de escuta, um ritual dialogando com o interior de mim, um registro do próprio corpo em interação com seu entorno. Mergulhar no desenho como expressão e como outra possibilidade de dança e escrita. Me interessa o desenho como memória, uma testemunha escrita dos os movimentos coletados, num tempo e espaço.